Carlinhos Rodrigues / Agencia RBS
Carlinhos Rodrigues / Agencia RBS

Desde o dia 25 de setembro, a vida ficou mais difícil para quem se preparava para financiar a compra de imóveis usados. Isso porque a Caixa Econômica Federal reduziu o teto de financiamento para até 50% do valor do imóvel para todas as modalidades. Em agosto deste ano, o banco já havia diminuído o teto de 80% para 60% ou 70%, dependendo da linha de crédito.

A Caixa garante que o novo limite é para as futuras operações de crédito. As propostas em análise entregues antes do dia 25 seguem nos limites antigos, caso o empréstimo seja liberado. A justificativa da instituição é frear o volume de crédito: a contratação em 2017 está cerca de 20% superior ao mesmo período do ano passado, com mais de R$ 62 bilhões emprestados até o momento. O efeito da medida promete ser forte.

– A redução do limite de financiamento deve impactar, e muito, o mercado. Hoje, a Caixa é responsável por dois terços dos financiamentos brasileiros. O mercado de usados em Porto Alegre vinha passando por um momento de retomada este ano. Há muito volume de oferta – analisa o gerente de vendas da Guarida Imóveis, Rafael Spolavori.

Outras opções

Mas quem planeja comprar um imóvel usado não precisa, necessariamente, congelar os planos. Outros bancos não seguiram a restrição da Caixa e seguem oferecendo financiamentos para quem tem menos dinheiro na mão para investir.

– Fortaleceu-se muito, nos últimos anos, um mito de que crédito imobiliário é só com a Caixa. E ela foi, mesmo, muito fortalecida nesse setor. Mas os outros bancos têm buscado esse cliente. E, nesse cenário, talvez nunca estiveram tão abertos para financiamentos – aposta o especialista em mercado imobiliário Marcelo Prata.

A reportagem consultou os bancos com maior patrimônio do país, segundo o Banco Central, além do Banrisul, que é do Estado, e todos oferecem financiamento de até 80% do valor do imóvel pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que rege a maioria dos financiamentos imobiliários no país com recursos da poupança ou repassados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Nos juros, entretanto, a Caixa ainda aparece como mais competitiva. Com o financiamento de até 50%, a instituição promete taxas a partir de 5%. As demais acenam com percentuais entre 9,24% e 11,4%. Mas os juros não são tudo.

– É preciso conferir nos bancos o CET (Custo Efetivo Total) para poder comparar. Ele inclui todos os custos a serem pagos no financiamento, como seguros e taxas _ alerta o especialista.

Sem precipitação

Mas o corte de crédito da Caixa pode vir a calhar. Principalmente, se levar as famílias a pensarem melhor o próprio orçamento antes de embarcarem em um financiamento.

– É uma dívida que tem de ser muito bem pensada. Porque isso vai comprometer o orçamento por longo período, talvez mais de 30 anos – pondera o educador financeiro Jó Adriano da Cruz.

Ele acredita que pode ser uma oportunidade para as famílias repensarem onde investir o dinheiro, fazerem mais economia e entrarem no financiamento em melhores condições. O educador destaca também o movimento de melhora da economia como um sinal a ser levado em conta.

– Se não sentir confiança de ir para outros bancos, pode dar uma segurada no processo. A economia já esteve pior. Hoje, mostra tendência de crescimento. Isso pode se refletir, em seguida, em aumento nas linhas de crédito. Se a Caixa baixa o limite agora, pode subir novamente no próximo ano – diz Cruz.

Avalie o que é melhor para o seu caso

Partir para financiamento em outro banco

  • Outros bancos mantiveram os seus limites de financiamento em até 80% dos valor dos imóveis.
  • Quem já fez todos as cálculos e deixou o orçamento pronto para financiar um imóvel pode tentar outras instituições financeiras.
  • É importante comparar não somente as taxas de juros, mas o CET, que inclui todos os custos a serem pagos no financiamento.

Esperar mais um pouco

  • Se não estiver seguro de que é boa a proposta de outro banco, pode ser melhor esperar mais um pouco para fechar o negócio.
  • Neste caso, será possível juntar mais dinheiro e melhorar as condições do financiamento, reduzindo a prestação.
  • A Caixa já baixou e subiu antes o percentual de financiamento de usados. O banco financiava até 80% até maio de 2015, quando baixou para até 50%. Em março de 2016, o limite voltou para 70%.
  • A instituição poderá voltar a elevar o percentual a ser emprestado, mas não há data prevista para que isso ocorra.

O financiamento de usados na linha SFH

Banco do Brasil

Financia: até 80% do valor do imóvel
Taxa de juros: a partir de 9,24%
Tempo para pagar: até 35 anos
Valor do imóvel: até R$ 800 mil

Banrisul

Financia: até 80% do valor do imóvel
Taxa de juros: entre 9,4% e 11%
Tempo para pagar: até 35 anos
Valor do imóvel: até R$ 800 mil

Bradesco

Financia: até 80% do valor do imóvel
Taxa de juros: 10,5%
Tempo para pagar: até 30 anos
Valor do imóvel: até R$ 950 mil

Caixa Federal

Financia: até 50% do valor do imóvel
Taxa de juros: entre 5% e 11%
Tempo para pagar: até 35 anos
Valor do imóvel: até R$ 3 milhões

Itaú

Financia: até 82% do valor do imóvel
Taxa de juros: a partir de 10,1%
Tempo para pagar: até 30 anos
Valor do imóvel: a partir de R$ 100 mil, sem limite

Santander

Financia: até 80% do valor do imóvel
Taxa de juros: entre 9,49% e 11%
Tempo para pagar: até 35 anos
Valor do imóvel: até R$ 800 mil

* As taxas de juro referentes ao ano podem variar conforme a relação do cliente com o banco.
** Foram consultados os bancos com maior patrimônio no país, segundo o Banco Central, e o Banrisul, do Estado.

Fonte: Gaúcha ZH