Alta nos juros de financiamento da casa própria faz consórcio crescer em 2016

Diante das alterações realizadas pelos bancos para a contratação de crédito imobiliário, a compra do imóvel ficou mais difícil para muitos dos brasileiros. Nesse cenário, o sistema de consórcio vem ganhando força. No entanto, a AMSPA – Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências alerta o consumidor fazer essa modalidade apenas com empresas sólidas e não ter pressa para mudar. ​

​Desde o final do mês de março, estão mais caras as taxas de juros do crédito imobiliário provenientes dos recursos de poupança, subiram de 11,5% para 12,5% ao ano. Somente os financiamentos habitacionais com recursos do Programa Minha Casa, Minha Vida e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não sofreram alteração. O aumento dos juros, entrada maior para financiar o valor do bem e a redução do teto máximo são algumas das alterações feitas pelos bancos para a contratação de financiamento imobiliário.

Por isso, o sistema de consórcio tem sido alternativa para muitos futuros mutuários realizarem o sonho da moradia própria. Para se ter uma ideia, as cotas para compra de imóveis registraram um aumento de 40% nas vendas e 42,6% em créditos comercializados em 2015, com mais de um milhão de novas adesões em todo o País, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac).

Mas, antes de aderir ao consórcio, é preciso ficar atento à administradora. “Eu aconselho os consumidores escolherem apenas empresas sólidas para não ter dor de cabeça mais adiante”, ressalta Marco Aurélio Luz, presidente da AMSPA – Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências. Para verificar a regularidade da operadora de consórcio é necessário entrar no site do Banco Central. No portal será possível checar se a instituição tem autorização para funcionar.

Para Luz, quem optar pelo consórcio não deve ter pressa, pois pode tanto ser o primeiro a ser contemplado como o último. “Devemos alertar ao futuro mutuário, que deseja comprar sua primeira casa por essa modalidade que, quando liberar a carta de crédito, muitas vezes, o valor não é suficiente para aquisição do bem desejado. Nesses casos, em que houve a valorização do imóvel, por conta da correção pelo INCC – Índice Nacional de Custo da Construção e a quantia ficou acima do crédito recebido, o futuro dono da propriedade terá de ter reservas próprias para completar o pagamento. Caso contrário, será forçado a comprar o imóvel em outro local não desejado e, com isso, gerar problemas sérios, como o de mobilidade”, explica. “Por isso, esse financiamento é ideal para quem não tem urgência de se mudar”, completa.

Vantagens e desvantagens

O consumidor que escolher o sistema de consórcio terá os seguintes benefícios: as parcelas não têm juros; é possível usar o FGTS para dar lances e receber a carta de crédito antes; é  menos burocrático, pois não exige comprovação de renda e o prazo para a liberação (varia entre 60 a 180 meses), que é menor, se comparado a outros financiamentos que chegam a 30 anos. “O consórcio também é uma boa saída para compradores não são disciplinados o suficiente, para fazer uma poupança de longo prazo”, destaca o presidente da AMSPA.

 

Já os malefícios são: as taxas de administração e adesão; os seguros e o fundo de reserva para prevenir inadimplência, que podem comprometer em até 20% das prestações.

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