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AMSPA, um pouco da história

A Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências – AMSPA – tem sua significativa origem, na verdade, nos anos de 1984, quando a prestação do meu apartamento no Edifício Pasteur Palace, no Rio de Janeiro, teve um reajuste de nada mais, nada menos que 432%. Isso mesmo: quatrocentos e trinta e dois por cento ! De Cr$220,00 passou para Cr$950,40 e eu só ganhava R$1.000,00 por mês.
Fui na Caixa reclamar, mas, a resposta é a mesma que, ainda, hoje é dada: “está correta e se o senhor reclamar vai ficar sabendo que deveria ser maior ainda! “ Virgem Santa ! Expliquei para minha esposa: ou pago e morremos de fome ou não pago e voltamos a morar na Ilha do Governador. Já estava 3 meses atrasados quando saiu nos jornais a notícia de uma reunião com os mutuários da casa-própria na FAMERJ – Federação dos Moradores do Estado do Rio de Janeiro, para debater o problema do terrível reajuste.
Compareci, fui convidado a sentar à mesa dos trabalhos em face de ser advogado e dali não sai mais até hoje. Fomos à Brasília reclamar com o Presidente da República, General João Baptista Figueiredo, seu Secretário da Habitação nos atendeu e prometeu uma solução. E, efetivamente, ela veio em 21 de agosto de 1984, com o Decreto-Lei nº 2.164, determinando o reajuste das prestações pelos índices dos aumentos salariais da categoria profissional, o PES/CP. Foi a salvação da lavoura !
Até hoje gostaria de homenagear o Presidente Figueiredo por essa decisão, a mais justa jamais ocorrida em favor do mutuário. Nem o Presidente Lula, do qual aplaudo o governo, ainda, não fez nada parecido em favor do mutuário. Pois bem, de mudança para São Paulo, aqui continuei, em 1990, prestando minha colaboração à comunidade de São José dos Campos, ajudando na fundação da AMVAP e, a seguir, em 1º de julho de 1991, a nossa gloriosa “Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências – AMSPA –“, inicialmente com sede ali próximo à Igreja de São Judas Tadeu e depois onde está hoje, na Praça João Mendes. A divulgação da AMSPA foi rápida graças ao trabalho da primeira equipe jurídica e administrativa.
A chamada propaganda “boca-a-boca” muito ajudou como até hoje tem grande importância para o crescimento da entidade. As outras foram as reuniões no interior dos condomínios e as diversas entrevistas que os diretores concediam à mídia.
Muitas foram as passagens pitorescas que aconteceram na vida da associação, vou contar aquela do casal que chegou à sede para saber porque sua moradia estava indo ao repugnante leilão extrajudicial. A esposa, mais preocupada, afirmando que pagava em dia suas prestações. Quando ela disse isso, levantei-me e disse: “Ah ! essa não ! Vamos agora na Caixa resolver isso. A senhora tem os recibos aí ? “ Ela se virou para o marido, ali, quieto, cabisbaixo, e pediu os recibos. Ele, simplesmente, balançou a cabeça dizendo “não”. Ele não tinha os recibos. A mulher caiu no desespero gritando que todos os meses entregava para o marido o dinheiro da prestação, mas, ele não pagava e consumia a “grana” com bebidas e mulheres. Foi um Deus nos acuda e o homem foi apanhando escada a baixo.
No mesmo dia a senhora voltou para saber que deveria fazer já que o imoral leilão se realizaria no dia seguinte. Orientei e no dia seguinte logo cedo ela voltou acompanhada de um cidadão de terno escuro e gravata: era o pastor da Igreja que ela freqüentava que a socorreu com o dinheiro das prestações atrasadas. No dia seguinte, antes da hora do leilão, a associação já havia solucionado o problema conseguindo, através seus advogados, a liminar suspendendo o leilão.
Muitos curiosos fatos tivemos a oportunidade de assistir e precisaríamos de muito espaço para contar a vocês. Um deles, que por sinal é um bom exemplo, aconteceu com uma locutora de rádio de São Paulo. Ela pediu à AMSPA que verificasse se o valor de sua prestação estava correto. Não estava. Que fez ela ? Foi de microfone na mão na agência da Caixa falar com o gerente. Não deu outra: o gerente mandou corrigir o valor e a nossa estimada locutora passou a conferir todos os meses os valores cobrados, quando não batia com os nossos cálculos, ela “invadia” a agência da Caixa de microfone em pé e o gerente já corria para mandar corrigir a “falha”. Em 1996, assumiu a presidência da AMSPA o Marco Aurélio, jovem talento e muito batalhador. Seu trabalho até hoje ao comemorarmos 18 anos de luta, vai se aperfeiçoando cada vez mais.
Com a chegada da Internet, então, nem se fala, ou melhor, dizendo, agora se fala melhor com a associação, on-line, até mesmo o associado consultando o andamento de seus processos. Continuo aqui em São José, como assessor jurídico, feliz, assistindo o crescimento da entidade. Parabéns Presidente Marco, Vice-Presidente Alex, Tesoureira Rosângela, diretores e conselheiros, equipes do Tatuapé, Campinas, Santos e João Mendes, vocês são os heróis dos mutuários que já tiveram milhares de moradias salvas.
Continuem cada vez melhor !
João Bosco Brito da Luz, associado nº 0001-JM.
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